3 de agosto de 2011

Pôneis malditos: como ser antiético e forçar um viral

Desde que o mundo é mundo e a internet é a internet, surgem modinhas que na velocidade de um relâmpago se espalham na grande rede e caem na boca do povo. E num piscar de olhos todos comentam a respeito. Nas disciplinas de Marketing das faculdades dão o nome a isso de viral. O mais novo viral da internet é a propaganda da Nissan e os tais Pôneis Malditos. Eu devo ter visto pela primeira vez essa propaganda na última sexta-feira e até ontem, terça-feira, pelos menos umas dez pessoas já me perguntaram "já viste o vídeo dos pôneis malditos?". Por um lado, eu acho bacana quando surge um viral, porque geralmente são interessantes ou engraçados. Mas, em relação a este da Nissan, achei um belo de um velho golpe de antiética da internet para forçar a criação de um viral, usando do subterfúgio que há mais de dez anos infesta nossas caixas de e-mail de porcarias: as ameaças nos finais de e-mails corrente.

Penso o seguinte: se é um viral que deseja criar, então seja criativo, muito criativo. Inove. Surpreenda. Mas sobretudo faça com que seja natural. Tenha em mente que o viral será sucesso ou fracasso dependendo primordialmente da recepção dos usuários. Às vezes, pode ser a coisa mais podre do mundo e fará sucesso. Assim como pode ser algo genial, e não causar qualquer alvoroço. É quase uma loteria. Jamais force a barra. E muito menos, mas muito menos seja antiético. Não sou professor de marketing mas essa é a minha opinião sobre a criação de virais.

E a propósito: alguém lembra que essa propaganda se trata do anúncio da nova Nissan Frontier, com 172 cavalos de potência? Bom, acho que 8 em cada 10 pessoas não ligam o viral ao produto, pelo menos ninguém que me assalte pra perguntar do vídeo cita a Nissan, muito menos a Frontier. Ou seja, não, não sou professor de marketing, mas esse viral é um fracasso mesmo sendo um sucesso. Os números das vendas da nova Nissan Frontier vão dizer por mim.

Todo e qualquer usuário de e-mail que se preze já recebeu infinitas vezes aquelas correntes idiotas de e-mails sem utilidade alguma. Dicas de segurança, dicas de saúde, novas modalidades de assalto, proposta de sabotagem pelo preço dos combustíveis, crianças desaparecidas, mensagens de amor, mensagens de Deus, o texto da Samara, enfim. E essas mensagens todas só lhe foram enviadas porque no final havia algo do tipo "envie para o máximo de pessoas" ou "se você não enviar para pelo menos 10 pessoas, você vai morrer!". Claro que ninguém acredita que irá morrer, mas pelo sim, pelo não, espalham a merda da corrente. Nas aulas de computação, dão o nome a isso de:

Engenharia Social
Porque não há patch para a estupidez humana.


Aliás, quando recebo um e-mail desses "informativos", a primeira coisa que faço é ir ao final da mensagem e ver se tem qualquer menção a "envie para todas as pessoas possíveis e imagináveis". Se houver qualquer referência do tipo, pode ser a informação mais útil do mundo, a mensagem mais edificante da face da Terra, eu nem leio e deleto.

E nem precisava ameaçar com a maldição, a música gruda como chiclete de qualquer jeito. E eu prefiro que o meu carro atole.



Isso é ridículo. Não, não é engraçado.

encéfalo

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