12 de março de 2011

Medal of Honor: um belo resgate

"First things first". Foi pensando nessa expressão americana que resolvi escrever essa postagem. Explico: com a notícia de que o Call of Duty: Black Ops se tornou o jogo mais vendido da história, fiquei muito tentado em ir atrás e experimentá-lo para comprovar e repassar aqui as minhas impressões. Mas primeiro me vi obrigado a tratar do concorrente ao Black Ops, lançado no mesmo período, e que já tive a oportunidade de experimentar. A EA Games trouxe de volta a franquia Medal of Honor que tanto fez sucesso anos atrás, explorando com competência o cenário nostálgico da Segunda Guerra Mundial, chegando inclusive à exaustão nos últimos títulos. Mas dessa vez, pra fugir do lugar comum e zelar o nome Medal of Honor, a EA resolveu seguir os passos da Activision e ambientar seu novo jogo em um cenário de guerra atual.


Não apenas atual, como também real. Em meio à polêmica com os americanos conservadores, puritanos e pudicos, que acham absurdo poder jogar pelo lado dos talibãs no modo multiplayer, o novo Medal of Honor trilha a história (ainda não desfechada) dos soldados americanos na invasão ao Afeganistão. E foi feito um bom trabalho no resgate da série.

O enredo é isso: Americanos contra talibãs. Mais especificamente, o jogador vive a pele de uma espécie de elite da elite do exército americano, a Tier 1. São os caras mais sagazes dos campos de batalha, que integram um esquadrão seleto que realiza, de modo geral, missões secretas com incursões infiltradas, "behind the enemy lines", ou atrás das linhas inimigas, como se costuma dizer. Os caras são meio excêntricos, andam de quadriciclos, escalam montanhas, usam barbas longas, sempre de óculos escuros e usam roupas militares mescladas com turbantes e demais itens da vestimenta afegã, como forma de se infiltrar etc e tal. Ou seja, são como o carinha da capa do jogo aí do lado.

Essas missões me lembraram o Delta Force 2, jogo das antigas, um dos primeiros FPS que joguei no PC há mais de dez anos, onde sempre se tenta fazer as coisas na surdina, implantando bombas, capturando equipamentos, documentos e "talecoisa", mas nem sempre sendo possível ficar oculto, e é aí que então um grupo de dois, três ou quatro americanos têm que lidar com dezenas de talibãs ávidos pra ver sangue yankee jorrar.

Mas lá pelas tantas, também se vive a pele de um guerreiro nato, dos famosos "Rangers", elite do exército que "dá a cara a tapa" diante das linhas inimigas. Daí, as missões se tornam aquelas com cara de guerra mesmo, em batalhas campais, inúmeros soldados caindo do teu lado, explosões, aviões bombardeando, helicópteros caindo e aquela "porra toda" de uma guerra franca.

Nessa parte do jogo eu lembrei do primeiro Medal of Honor que joguei, o Allied Assault. Especificamente a invasão à Omaha Beach, na Normandia, pra retomada da França pelos aliados, no emblemático Dia D. Aquela loucura toda, voando chumbo de todos os cantos pra todos os lados. Fiquei esperando então qual seria a missão que se assemelharia a essa do Allied Assault. E aí logo veio a Belly of the Beast, que começa assim:



Foda demais! Tudo muito bem feito, o vídeo, a expectativa de entrar no campo de batalha, a surpresa na derrubada do helicóptero, correria, explosões e depois de tudo isso: começa a missão. "Lock and load". Agora é contigo! Achei bem semelhante ao Allied Assault em Omaha Beach, substituindo os anfíbios por helicópteros.

São várias as cutscenes como essa que entram no início das missões e vão dando o tom da história, buscando também aquele ar cinematográfico.

A maior surpresa da campanha individual porém é outra: ATENÇÃO! SPOILER À VISTA! Seleciona o texto a seguir com o cursor do mouse pra poder ler o spoiler a partir daqui > Acontece que, quando parece que a campanha tá ficando emocionante, rola um resgate perigosíssimo de um soldado que ficou pra trás e o jogo parece que vai pegar fogo, e aí, a história acaba. Simplesmente isso. É muito curta, achei até um pouco frustrante, mas nada que possa manchar a história que foi bem montada e com um bom desfecho, o problema é que é curta, apenas. Quanto ao resto, nada a reclamar. Ótimos gráficos, sons cinematográficos (com uma boa caixa de som/fone de ouvido) e boa jogabilidade, com excessão dos momentos em que tem que pular obstáculos, mas nada traumatizante.

Com uma história bem montada com um belo resgate cinematográfico na trama, Medal of Honor manteve a "honra" e "resgatou" muito bem a série. Recomendo.

encéfalo

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