15 de outubro de 2010

Mafia II: gráficos e jogabilidade

Depois de ter terminado a saga de Vito Scaletta no Mafia 2, agora posso com mais conhecimento de causa falar a respeito do jogo. Já disse aqui que o jogo resgatou a franquia de grande sucesso num tempo onde GTA ainda não tinha essa fama toda, sendo um dos precursores do gênero sandbox. Falei do enredo, que traz mais uma vez à tona o já tão explorado tema da máfia italiana nos Estados Unidos, o que, de um lado, acaba não trazendo nada de extraordinário que o qualifique grandemente, mas de outro, não deixa de ser uma temática que garanta reviravoltas, mistérios e muita ação. Dessa vez vou tratar das minhas impressões dos gráficos e jogabilidade em Máfia 2.


Dos gráficos

Embora eu tenha lido comentários de que o Máfia 2 foi desenvolvido com base no DirectX 9 (o que poderia representar um retrocesso, já que há anos todos os grandes jogos são para DirectX 10 e de pouco mais de um ano pra cá, vários títulos já vêm com o mais atual DirectX 11), a qualidade gráfica de Máfia 2 tem um bom destaque. Pra incrementar ainda mais a qualidade, Máfia 2 conta com a tecnologia APEX PhysX da nVidia, que, de uma forma geral, dá mais fluidez aos objetos que não são rígidos e têm uma dinâmica, digamos, aleatória.

O PhysX consiste em dar vida aos objetos que naturalmente tem uma movimentação suave, como água, tecidos, fogo, estilhaços e fumaça. Ou seja, a reação a colisões com objetos dessa natureza não acontece de forma "pré-programada", mas sim de modo mais aleatoriamente natural e ao mesmo tempo suave, se aproximando muito mais do real. Dessa forma, cada explosão, por exemplo, se torna única. E o realismo das explosões é mais um destaque gráfico de Máfia 2. É empolgante atirar nos bocais de combustível dos carros, fazendo aquele fuzuê no centro de Empire Bay.

Outro elemento interessante onde se nota o PhysX é com as roupas de Vito, sobretudo quando usa sobretudo(!) O movimento do tecido da roupa parece bem próximo do real, de tão suave, parece um movimento de pano de seda. Mas essas características todas têm um preço. APEX PhysX é tecnologia proprietária da nVidia, de modo que só pode ser plenamente experimentado com placas de vídeo da nVidia recentes. Com placas da ATI/AMD, ou placas antigas da própria nVidia, o PhysX fica a cargo apenas da CPU e não da placa de vídeo, a um troco considerável de perda de frames por segundo.



Máfia 2 também é compatível com a tecnologia 3D Vision também da nVidia. Tendo então os óculos da nVidia, o monitor 2233RZ da Samsung e placa de vídeo da nVidia compatível, há mais garantia ainda de emoção gráfica. Como eu me sinto excluído por ter uma AMD ATI... ou não!

Com tanta qualidade, é de se enteder porque realmente Máfia 2 foi desenvolvido com um DirextX mais antigo. É justamente para explorar ao máximo a tecnologia disponível, garantir qualidade gráfica e não sacrificar o usuário exigindo placas de vídeo de última geração e processadores robustos para ter um desempenho decente, como acontece com GTA IV. O vídeo de cima mostra que no visual, Máfia 2 não perde em nada para GTA IV, por exemplo.

Em suma, se queres jogar um sandbox com o visual de GTA IV e a mais de 50 FPS, Máfia 2 é o que há. Vale lembrar que a riqueza de detalhes, cores e luzes também tem duas fases, como próprio jogo tem duas fases. No inverno, com destaque pra neve e cores sombrias. E no verão, com uma profusão de cores intensa e efeitos de iluminação vibrantes. Essa mudança radical intensifica no enredo, como eu já falei, a sensação de tempo perdido e de vida jogada fora pelo crime, já que no entre-estações Vito fica na prisão.

Da jogabilidade

A respeito de jogabilidade, Máfia 2 é bastante simples e não difere muito dos demais títulos do gênero. A câmera é em terceira pessoa com um destaque interessante para o efeito de "câmera na mão" que se percebe principalmente quando o nosso personagem corre, pois a câmera saculeja, como se o acompanhasse bem de perto, um elemento recorrente em muitos filmes de ação atuais.

De um ponto de vista negativo, o personagem pode correr a cidade inteira sem cessar. Ele simplesmente não cansa, nem diminui o ritmo do pique, o que prejudica o realismo. Impossível não comparar: desde o GTA San Andreas, de 2004, o personagem não é um maratonista que pode correr o tempo todo. E se por um lado Vito Scaleta é maratonista nato, ele jamais disputaria um biatlo. Ele simplesmente não sabe nadar. É impossível pular na água a menos que se esteja num carro. E assim que o carro cai, é velório do Vito. É ruim e não há justificativa plausível para em um jogo sandbox o personagem não poder nem pisar na beira do rio.

Mais um crítica é com relação à "falta do que fazer". Não há, como em GTA IV, uma riqueza de atividades paralelas à trama principal. Vito acorda, o telefone toca e tem uma missão com tiros para dar por aí. O jogador até pode não ir direto para a missão, dar uma volta na cidade, conferir o visual, assaltar uma loja, bater em um trouxa qualquer, desafiar a polícia, atropelar, explodir e causar o maior GTA, mas sempre fica a indicação no mapa de que você tem uma missão a cumprir. (acho que isso não é nem jogabilidade, está mais para linearidade do enredo... será que eu já falei disso no enredo?? sei lá, vai lendo...)

A Inteligência Artificial também deixa a desejar. Mesmo jogando na dificuldade máxima, não é complicado se desvencilhar de policiais. Não cheguei a ficar com mais de 4 estrelas de "procurado" (já que Máfia 2 não é GTA onde simplesmente se sai de casa pra explodir e atropelar tudo o que houver pela frente), mas fugir da polícia não é tarefa árdua pra quem é manjado no estilo. Nas missões, o mesmo acontece. Basta ter boa prática de mira em jogos de tiro que se passa fácil pelas fases, a excessão de uma ou outra, que são, digamos, fases-chave da trama.

Já dirigir carros é mais fácil que em Máfia 1. Isso porque os próprios carros da época se tornaram mais dirigíveis. E isso pode ser sentido no próprio Máfia 2, na mudança dos anos 40 para os anos 50, onde carros mais parecidos com os atuais surgem.

Acho que é isso. No próximo, falarei do filézão do jogo: a espetacular trilha sonora e os itens colecionáveis.

encéfalo

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