Depois de 8 anos, a 2K Games resgata a franquia e traz Mafia II, lançado no último 24 de Agosto. Assim, como o primeiro, esta sequência teve uma boa recepção do pessoal que é ligado em jogos de videogame. Por isso, fiz algo que há um certo tempo não fazia: peguei o jogo logo após ser lançado pra dar também o meu pitaco. Depois de acompanhar as boas pontuações dos principais sites de avaliação de jogos foi difícil resistir e não experimentar o jogo. Daí venho trazer minhas impressões, que foram ótimas.
Mafia: The City of Lost Heaven, de 2002, foi um dos precursores de jogo sandbox, que, pra mim, vai muito além do estilo "tiro em terceira pessoa" e figura como gênero próprio. A série Grand Theft Auto, especialmetne após GTA III, de 2001, acabou se tornando o maior expoente dos jogos de ação sandbox, mas muita gente considera Mafia um título mais valioso, pois enriqueceu o jogo com outros elementos, como o enredo com mais pé e cabeça e ambientação da época mais bem elaborada, seja na trilha sonora, coleção de carros, edifícios e até no figurino dos personagens. Tanto que os GTAs seguintes (Vice City, San Andreas e IV) se preocuparam muito mais com esses aspectos, fazendo a franquia GTA da Rockstar atingir sucesso absoluto. Parece que foi exatamente pensando nessa riqueza de ambientação que a 2K Games procurou preencher o Mafia II, indo bem além do que havia sido feito no primeiro jogo.
Se não suportas spoilers, melhor nem leres. É lógico que não vou contar toda a história, até porque ainda não terminei a campanha, mas vou revelar algumas características que muita gente, leia-se os chatos, preferem não descobrir sem ser com os próprios olhos e dedos. Se não tiveres frescura, lê aí:
Do enredo
Sinceramente, do enredo, não se pode esperar muito. Afinal é a máfia. Teve gente que avaliou mal o jogo argumentando que não trouxe nada de interessante e novo sobre o cotidiano da máfia. Mas falando sério, depois de O Poderoso Chefão, sua adaptação para videogame e Os Sopranos, além do próprio Mafia 1, não há nada que se faça que se consiga fugir completamente do lugar comum ou de algo que jamais tenha sido feito ou cogitado. Falar da máfia é como ter um enredo meio fechado. Não tem muito pra onde ir que não se tenha ido antes. Mesmo assim, a história prende a atenção de quem gosta desse tipo de trama. Ao longo do jogo, vídeos (cutscenes) vão situando o jogador e desenrolando a história. Essas cutscenes são de duração média, o que vai também assemelhando o jogo a um filme.
O protagonista da vez é Vito Scaletta, um filho de imigrantes italianos da Sicília. Vito chega à terra da oportunidade ainda guri, junto com pai, mãe e irmã e cresce na companhia do amigo Joe Barbaro, praticamente um meio-irmão. Ofilme jogo segue uma sequência cronológica, dividida em dois períodos. O jogo começa quando Vito volta da Segunda Guerra Mundial, onde junto aos Aliados, lutou contra o Eixo, ou seja, contra seu próprio país de origem. De volta aos EUA, Vito chega e encontra sua família sem o pai e endividada. O velho tinha se complicado em meio àquele clima de crise e guerra, contraiu dívidas, morreu e deixou mulher e filha com o abacaxi na mão. Sem opção de trabalho digno, com a família endividada e com um amigo de infância que tinha uma vida relativamente boa graças aos trabalhos sujos que fazia, Vito não demorou muito pra se meter com a bandidagem de colarinho. Assim começa o jogo.
Em Empire Bay, cidade fictícia inspirada em Nova Iorque, Chicago e Detroit, três famílias comandam a máfia: Clemente, Falcone e Vinci. Ao longo de 15 capítulos, Vito trabalha para as três. No meio da trama, ele é preso por um crime federal e vai para a prisão, onde passa vários anos. Essa foi a deixa para o jogo saltar no tempo e mudar totalmente. Pra mim, esse foi o pulo do gato desse jogo.
Enquanto o primeiro Mafia se passa ao longo da década de 30, esse segundo se divide entre as décadas de 40 e 50. Em Mafia II, num primeiro momento, é inverno, década de 40. Noutro, quando Vito sai da prisão, é verão, década de 50. Essa mudança temporal e sazonal se reflete em tudo no jogo. Roupas, carros, música. Tudo muda.
Dos primeiros modelos de carros de linha de montagem em massa da década de 30 e 40, os modelos passam a ser os grandões e beberrões "monoblocos" e "cadillacs" que tanto fizeram sucesso nos anos 50. Do jazz, blues, foxtrot, boogie woogie e demais vertentes dos anos 30 e 40, passamos a viver as mudanças dos anos 50, com o rockabilly precursor do rock, e outros ritmos como o mambo. Dos vestidos longos, comportados e de cores neutras, as mulheres passam a abusar das cores, estampas, decotes e economizar nas medidas dos panos e ressaltar as medidas das curvas. Isso tudo intensifica a sensação ruim de passar tanto tempo na cadeia e perceber que se perde muita coisa na vida. Nada que tenha servido de lição pro Vito, pois o cara volta a trabalhar para a máfia assim que sai da prisão.
Essa mudança radical de ambientação pode ser comparada à quebra que acontecia nos GTAs, que, à medida que se percorria a trama, se destravavam outras regiões das cidades fictícias e as tramas passavam a figurar nesses novos espaços. Em GTA San Andreas, por exemplo, a história começa em Los Santos (Los Angeles), passa pra San Fierro (San Francisco) e depois pra Las Venturas (Las Vegas), todas em ilhas separadas. E no fim, o jogo voltava a Los Santos, onde acontecia o clímax da narrativa.
A diferença é que em Mafia II, não há uma ponte onde não se possa ir. Não há o que destravar, ficando assim menos "arcade". A cidade é a mesma. Mas dirigir na neve, num calhambeque ao som de um jazz e depois dirigir com o sol brilhando ao som de um rock num cadillac passa a ser uma experiência diferente, que quebra uma possível monotonia do jogador ao longo da trama que tem uma duração média para o estilo. A sensação é de que se está jogando um jogo novo.
Como escrevo muito, no próximo post vou tratar dos gráficos e da jogabilidade em Máfia 2.
Mafia: The City of Lost Heaven, de 2002, foi um dos precursores de jogo sandbox, que, pra mim, vai muito além do estilo "tiro em terceira pessoa" e figura como gênero próprio. A série Grand Theft Auto, especialmetne após GTA III, de 2001, acabou se tornando o maior expoente dos jogos de ação sandbox, mas muita gente considera Mafia um título mais valioso, pois enriqueceu o jogo com outros elementos, como o enredo com mais pé e cabeça e ambientação da época mais bem elaborada, seja na trilha sonora, coleção de carros, edifícios e até no figurino dos personagens. Tanto que os GTAs seguintes (Vice City, San Andreas e IV) se preocuparam muito mais com esses aspectos, fazendo a franquia GTA da Rockstar atingir sucesso absoluto. Parece que foi exatamente pensando nessa riqueza de ambientação que a 2K Games procurou preencher o Mafia II, indo bem além do que havia sido feito no primeiro jogo.
Se não suportas spoilers, melhor nem leres. É lógico que não vou contar toda a história, até porque ainda não terminei a campanha, mas vou revelar algumas características que muita gente, leia-se os chatos, preferem não descobrir sem ser com os próprios olhos e dedos. Se não tiveres frescura, lê aí:
Do enredoSinceramente, do enredo, não se pode esperar muito. Afinal é a máfia. Teve gente que avaliou mal o jogo argumentando que não trouxe nada de interessante e novo sobre o cotidiano da máfia. Mas falando sério, depois de O Poderoso Chefão, sua adaptação para videogame e Os Sopranos, além do próprio Mafia 1, não há nada que se faça que se consiga fugir completamente do lugar comum ou de algo que jamais tenha sido feito ou cogitado. Falar da máfia é como ter um enredo meio fechado. Não tem muito pra onde ir que não se tenha ido antes. Mesmo assim, a história prende a atenção de quem gosta desse tipo de trama. Ao longo do jogo, vídeos (cutscenes) vão situando o jogador e desenrolando a história. Essas cutscenes são de duração média, o que vai também assemelhando o jogo a um filme.
O protagonista da vez é Vito Scaletta, um filho de imigrantes italianos da Sicília. Vito chega à terra da oportunidade ainda guri, junto com pai, mãe e irmã e cresce na companhia do amigo Joe Barbaro, praticamente um meio-irmão. O
Em Empire Bay, cidade fictícia inspirada em Nova Iorque, Chicago e Detroit, três famílias comandam a máfia: Clemente, Falcone e Vinci. Ao longo de 15 capítulos, Vito trabalha para as três. No meio da trama, ele é preso por um crime federal e vai para a prisão, onde passa vários anos. Essa foi a deixa para o jogo saltar no tempo e mudar totalmente. Pra mim, esse foi o pulo do gato desse jogo.
Enquanto o primeiro Mafia se passa ao longo da década de 30, esse segundo se divide entre as décadas de 40 e 50. Em Mafia II, num primeiro momento, é inverno, década de 40. Noutro, quando Vito sai da prisão, é verão, década de 50. Essa mudança temporal e sazonal se reflete em tudo no jogo. Roupas, carros, música. Tudo muda.
Dos primeiros modelos de carros de linha de montagem em massa da década de 30 e 40, os modelos passam a ser os grandões e beberrões "monoblocos" e "cadillacs" que tanto fizeram sucesso nos anos 50. Do jazz, blues, foxtrot, boogie woogie e demais vertentes dos anos 30 e 40, passamos a viver as mudanças dos anos 50, com o rockabilly precursor do rock, e outros ritmos como o mambo. Dos vestidos longos, comportados e de cores neutras, as mulheres passam a abusar das cores, estampas, decotes e economizar nas medidas dos panos e ressaltar as medidas das curvas. Isso tudo intensifica a sensação ruim de passar tanto tempo na cadeia e perceber que se perde muita coisa na vida. Nada que tenha servido de lição pro Vito, pois o cara volta a trabalhar para a máfia assim que sai da prisão.
Essa mudança radical de ambientação pode ser comparada à quebra que acontecia nos GTAs, que, à medida que se percorria a trama, se destravavam outras regiões das cidades fictícias e as tramas passavam a figurar nesses novos espaços. Em GTA San Andreas, por exemplo, a história começa em Los Santos (Los Angeles), passa pra San Fierro (San Francisco) e depois pra Las Venturas (Las Vegas), todas em ilhas separadas. E no fim, o jogo voltava a Los Santos, onde acontecia o clímax da narrativa.
A diferença é que em Mafia II, não há uma ponte onde não se possa ir. Não há o que destravar, ficando assim menos "arcade". A cidade é a mesma. Mas dirigir na neve, num calhambeque ao som de um jazz e depois dirigir com o sol brilhando ao som de um rock num cadillac passa a ser uma experiência diferente, que quebra uma possível monotonia do jogador ao longo da trama que tem uma duração média para o estilo. A sensação é de que se está jogando um jogo novo.
Como escrevo muito, no próximo post vou tratar dos gráficos e da jogabilidade em Máfia 2.


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