20 de agosto de 2010

Facebook places

Talvez marcando uma nova característica de interatividade das redes sociais, o Facebook lançou seu serviço de geolocalização, chamado Facebook Places. Semelhante a outras aplicações já existentes, com o Facebook Places, o usuário posta através do celular a sua localização, por meio do posicionamento através de triangulação das antenas ou do GPS do aparelho, se disponível for. Agora, os amigos poderão se conectar e descobrir de cara, onde cada um está, além de poder compartilhar opiniões sobre os estabelecimentos que estão frequentando. Se por um lado, a interatividade aumenta, por outro, a privacidade diminui. Mesmo podendo escolher a dedo quem o usuário quer que fique sabendo da sua localização, ainda assim isso pode representar um risco, afinal, entre humanos, qualquer informação pessoal é um potencial risco de segurança.

O tal Facebook Places, nessa fase inicial, está restrito a usuários dos Estados Unidos e com aplicação compatível apenas para iPhone. Lógico, aos poucos, demais países e plataformas poderão usufruir do serviço. Uma funcionalidade interessante (e igualmente perigosa, mais uma vez ressalto) é o usuário poder consultar no mapa, quais amigos estão por perto (ex.: naquela rua cheia de bares e restaurantes que toda cidade tem), facilitando que os tais amigos se encontrem. Também é possível "marcar", adicionando tags (etiquetas) quais amigos do facebook estão ali, nessa mesma hora e nesse mesmo canal, junto com o usuário. Essa segunda funcionalidade eu acho mais inconveniente, pois um amigo "joselito sem-noção" pode, digamos, comprometer os outros, arrumando imbróglios - principalmente com namoradas, esposas e afins. O usuário amigo do joselito que se sentir prejudicado pode remover a sua tag daquela atualização, mas ainda assim, para isso ele tem que também acessar o Facebook após receber a notificação de que o joselito atualizou o Facebook Places e o incluiu, ficando praticamente refém da aplicação (e do joselito).

Já não é também pioneiro esse tipo de serviço, Foursquare, Gowalla e o Google Latitude são exemplos já existentes. Eu experimentei o Google Latitude, pra ver do que se tratava. Gostei do serviço, mas como disse, é delicado compartilhar sua geolocalização, mesmo que com as pessoas escolhidas. Nem sempre queremos que todas as pessoas saibam de determinadas localizações. Pra isso podem ser criados filtros (quanto ao Latitude) semelhante a como definimos a privacidade nos demais serviços do Google, como o Orkut, criando quantos grupos quisermos e definindo o grau de compartilhamento de informações. O Google Latitude também é disponível em celulares com o sistema Android (evidente!), iPhone, Windows Mobile 5 e Symbian s60, além de ser um aplicativo que se agrega ao Google Maps instalado no aparelho.


O lado ótimo disso é que muitos pais podem usar esse serviço pra manterem-se a par de onde suas crias estão enquanto eles trabalham pra trazer leite pra boca desses pestes. O aplicativo pode ser configurado para atualizar periodicamente o posicionamento, deixando pais mais tranquilos e filhos, mais vigiados. Gazetar, dizer que vai pra um lugar e ir pra outro (um que seria reprovável pelos genitores), ir pra um lugar e emendar indo pra outro, demorar pra voltar pra casa depois de um compromisso, enfim. E, trazendo pra realidade desse imenso Brasil, o serviço também agrega segurança, pois, com a atualização constante e periódica, problemas principalmente envolvendo sequestro (relâmpago ou de cárcere) podem ser lidados mais facilmente.

Acabará a farra dos filhos malandrinhos, maridos puladores de cerca e esposas piriguetes. Também será a euforia dos pais super medrosos cuidadosos e dos cônjuges de cabeça enfeitada ultra possessivos e ciumentos, com uma personalidade psicótica ainda velada, à espera de um contundente flagra.

Percebe quando eu digo que é perigoso revelarmos nossas localizações até para pessoas "próximas"?

Atualização post scriptum: ruim para os puladores de cerca, igualmente bom dependendo do referencial. Com a atualização constante da localização do corno cônjuge, o pulador de cerca ou a piriguete saberá quando a outra pessoa estiver a caminho de casa. Resolvido. Ninguém precisará de armários mais espaçosos. É só se arrumar calmamente e sair pela porta da frente, minutos antes. Vê como é bom? Sempre há o bom das coisas. Basta se posicionar do lado dele.

Seu copo está meio cheio ou meio vazio?


encéfalo

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