16 de julho de 2015

Quis o destino

Alcides GhiggiaQuis o destino que fosses o último a nos deixar. Quis o destino que fosse justo na data de aniversário da tua consagração. Quis o destino que fosses um ano depois da verdadeira maior tragédia do futebol brasileiro. Tudo isso o destino quis






para que Alcides Ghiggia não nos deixasse, entre brasileiros, com o sabor amargo do carrasco algoz a marcar um gol impossível, mas sim com o sentimento de respeito e reverência a quem merece um canto no coração de todo aquele brasileiro que ama o futebol.

Depois de 50 o futebol brasileiro cresceu. Assombrou o mundo. As grandes derrotas trazem as grandes lições - pelo menos naquele tempo ainda era assim.

Junta-te aos heróis "uruguajos", como Obdulio Varela, Schiaffino e, sobretudo, aos heróis vice-campeões do Mundo, como Barbosa.



Em sua última entrevista concedida a um veículo brasileiro, em 2012, ainda antes da Copa do Mundo de 2014, Ghiggia acreditava que a Copa seria a chance do Brasil enterrar a tragédia sacramentada por ele em 1950, com uma vitória da seleção brasileira.

Sim, a vontade de Ghiggia de sepultar a tragédia de 50 entre os brasileiros se concretizou, porém da maneira mais oposta possível. Com um vexame absolutamente insuperável, se o 7 a 1 trouxe algo de bom, foi o fato de nos fazer abrir os olhos para colocar a onzena brasileira de 50 no seu devido lugar de honra.


Ecoa na memória o grito dos celestes:

"Volveremos volveremos,
volveremos otra vez, 
volveremos a ser campeones,
como la primera vez."



A respeito de Barbosa, me levei a pensar:
- Qual o gol indefensável?
- O gol impossível.




encéfalo

4 de março de 2015